Notícias


Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio começa com informação, escuta e cuidado

10 de Setembro de 2026



 

No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, campanha reforça a importância de falar sobre saúde mental, reconhecer sinais de alerta e buscar ajuda especializada

O mês de setembro é dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental. Conhecido como Setembro Amarelo, o período amplia o debate sobre um importante problema de saúde pública e reforça a necessidade de combater o estigma que ainda envolve o sofrimento psíquico.

Nesta quarta-feira, 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a mobilização ganha ainda mais força. A data é uma oportunidade para lembrar que a prevenção não se resume a uma campanha anual: ela envolve informação, acolhimento, acompanhamento profissional e a construção de redes de apoio capazes de identificar situações de sofrimento e encaminhar as pessoas para o cuidado adequado.

Os números mostram a dimensão do problema

Dados do Ministério da Saúde revelam a relevância da prevenção no Brasil. De acordo com o Panorama dos suicídios e lesões autoprovocadas no Brasil de 2010 a 2021, publicado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, 15.507 suicídios foram registrados no país em 2021.

No mesmo ano, 77,8% dos óbitos foram registrados entre homens. O suicídio representou a 27ª causa de morte no Brasil e teve impacto particularmente importante entre adolescentes e adultos jovens: foi a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 19 anos e a quarta entre aquelas de 20 a 29 anos. (PePSIC)

O Ministério da Saúde também identificou crescimento da taxa de mortalidade por suicídio ao longo da série histórica analisada. Entre 2010 e 2021, a taxa passou de 5,2 para 7,5 mortes por 100 mil habitantes, um aumento de aproximadamente 42%. (MNDN)

Os dados mais recentes disponíveis em diferentes bases apontam que o número absoluto de mortes continuou elevado nos anos seguintes. Por isso, os números reforçam a necessidade de políticas públicas permanentes, acompanhamento em saúde mental e ações de prevenção.

Suicídio é um fenômeno complexo

Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações. Não existe uma única causa ou explicação capaz de determinar por que uma pessoa chega a uma situação de crise.

Diferentes fatores podem contribuir para situações de vulnerabilidade, incluindo sofrimento emocional, conflitos familiares, perdas, problemas relacionados ao trabalho, doenças crônicas, violência, discriminação, dificuldades econômicas e outras circunstâncias. Esses fatores, isoladamente, não permitem prever um comportamento suicida. (Serviços e Informações do Brasil)

Por isso, especialistas e órgãos de saúde recomendam evitar julgamentos e explicações simplistas. A prevenção exige olhar para a pessoa de maneira integral e considerar sua história, seu contexto e suas necessidades.

Quais sinais merecem atenção?

Não existe uma fórmula capaz de identificar com certeza uma crise suicida. Entretanto, o Ministério da Saúde orienta que alguns sinais podem merecer atenção, especialmente quando aparecem de forma simultânea ou representam mudanças significativas no comportamento.

Entre eles estão:

  • isolamento e afastamento de familiares, amigos e atividades habituais;
  • mudanças importantes de comportamento ou de humor;
  • demonstrações de desesperança ou falta de perspectiva;
  • preocupação frequente com a própria morte;
  • manifestações verbais relacionadas à vontade de desaparecer ou não continuar vivendo;
  • abandono ou redução significativa do autocuidado;
  • aumento do consumo de álcool ou outras drogas;
  • alterações importantes no sono;
  • sofrimento emocional intenso.

O Ministério da Saúde ressalta que esses sinais não devem ser analisados isoladamente. Ainda assim, quando familiares, amigos ou colegas percebem mudanças significativas, é importante não ignorá-las. (Serviços e Informações do Brasil)

Escutar sem julgar pode ser o primeiro passo

Para quem percebe que alguém próximo está enfrentando sofrimento emocional, uma das atitudes mais importantes é oferecer escuta e acolhimento.

Em vez de minimizar a situação com frases como “isso vai passar” ou “você precisa ser forte”, é recomendável demonstrar disponibilidade para ouvir, sem julgamentos. Perguntar como a pessoa está, demonstrar preocupação e incentivar a procura por ajuda profissional são atitudes que podem contribuir para a prevenção.

O Ministério da Saúde orienta que, diante de uma pessoa em situação de risco, é importante encontrar um momento adequado para conversar, ouvir com mente aberta, oferecer apoio e incentivar a busca por serviços de saúde. Em situações de risco imediato, a recomendação é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de emergência. (Serviços e Informações do Brasil)

Saúde mental também faz parte da saúde integral

A prevenção ao suicídio está diretamente relacionada ao fortalecimento da atenção à saúde mental. No Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) articula diferentes serviços para atender pessoas em sofrimento psíquico.

A rede inclui serviços de atenção básica, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de urgência e emergência, hospitais e outros pontos de cuidado. O Ministério da Saúde mantém diretrizes nacionais para a prevenção do suicídio e estabelece a articulação dos serviços como parte da estratégia de atenção integral. (Serviços e Informações do Brasil)

A prevenção também depende da atuação conjunta de profissionais de saúde, familiares, instituições, escolas, empresas e da sociedade. Informação de qualidade e acesso ao cuidado são ferramentas fundamentais para reduzir riscos e ampliar as possibilidades de recuperação.

Onde buscar ajuda

Quem estiver passando por sofrimento emocional ou apresentar pensamentos relacionados ao suicídio pode procurar atendimento nos serviços de saúde.

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (UBS) podem oferecer acolhimento e encaminhamento para acompanhamento adequado.

Em situações de urgência ou emergência, é possível procurar uma UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital.

O SAMU, pelo telefone 192, também atende situações de emergência, incluindo tentativas de suicídio. (Serviços e Informações do Brasil)

Outra possibilidade é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias. O serviço também disponibiliza atendimento por outros canais. (Serviços e Informações do Brasil)

Prevenção é uma responsabilidade de todos

O Setembro Amarelo reforça que falar sobre saúde mental de maneira responsável não significa estimular comportamentos de risco. Pelo contrário: informar, acolher e orientar para o cuidado são instrumentos de prevenção.

Para a COOMEB, que tem o cuidado com a saúde como parte de sua atuação, a data representa também um convite à reflexão sobre a importância de olhar para o ser humano de forma integral.

Cuidar da saúde significa prestar atenção ao corpo, mas também às emoções, aos relacionamentos e às condições que interferem na qualidade de vida.

Neste 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a principal mensagem é simples e necessária: ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho. Pedir ajuda é um ato de cuidado. Escutar também é cuidar. E a prevenção pode começar com uma conversa.

Se você ou alguém próximo estiver em situação de risco imediato, procure um serviço de emergência ou ligue para o SAMU, pelo 192. Para apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia.


« Voltar