Notícias
Entrevista: Janeiro Branco, uma conscientização sobre a importância da saúde mental
21 de Janeiro de 2026
Por Yraciara Alves - DRT 1801
Jornalista/comunicação estratégica
1. O que é o Janeiro Branco e por que essa campanha é considerada tão importante para a promoção da saúde mental na sociedade atual?
Janeiro Branco é uma campanha que surgiu em 2014 como um movimento social e convida as pessoas a olharem com mais atenção para a saúde mental. O início do ano costuma ser um momento de reflexão e expectativa para o novo, sendo comum o estabelecimento de metas e planos. Em um contexto de tantas exigências, inseguranças e sobrecargas, falar de saúde mental se torna ainda mais necessário. A campanha ajuda a lembrar que a saúde não é só ausência de doença física , a saúde emocional também precisa de cuidado, p revenção e acompanhamento ao longo da vida.
2. Quais são os principais transtornos mentais que mais acometem a população brasileira atualmente e que merecem maior atenção durante o Janeiro Branco?
No Brasil, os transtornos mais frequentes são os transtornos de ansiedade e depressão. Dados nacionais e internacionais mostram que o país tem índices elevados de ansiedade, e a depressão continua sendo uma das principais causas de afastamento e prejuízo funcional. Também observamos com frequência problemas relacionados ao uso de álcool e outras substâncias, além dos transtornos do sono, que muitas vezes aparecem associados ao estresse e à sobrecarga do dia a dia.
3. De que forma o estresse crônico, a sobrecarga de trabalho e as mudanças no estilo de vida têm impactado a saúde mental das pessoas?
O estresse prolongado acaba impactando diretamente o funcionamento emocional. Quando a pessoa vive em constante estado de alerta, sem tempo adequado para descanso e recuperação, isso pode se traduzir em ansiedade, irritabilidade, alterações de humor e dificuldade de concentração.
Além disso, mudanças no estilo de vida, como menos atividade física, pior qualidade do sono, uso excessivo de telas e menos convívio social, contribuem de forma significativa para o adoecimento mental.
4. Quais sinais de alerta indicam que uma pessoa pode estar precisando de acompanhamento psiquiátrico ou psicológico?
Alguns sinais costumam aparecer com bastante frequência: tristeza persistente, ansiedade, desânimo, irritabilidade, isolamento social e alterações no sono ou no apetite.
Quando esses sintomas começam a interferir na rotina, no trabalho ou nas relações, ou quando a pessoa sente que não está conseguindo lidar sozinha com o que está sentindo, já é um indicativo importante para buscar ajuda profissional.
5. Ainda existe muito preconceito em relação aos cuidados com a saúde mental. Na sua avaliação, quais são os principais desafios para quebrar esse estigma?
O principal desafio ainda é a desinformação. Muitas pessoas acreditam que sofrer emocionalmente é sinal de fraqueza ou falta de esforço, o que não corresponde à realidade.
Falar mais sobre saúde mental, compartilhar informações de qualidade e tratar o tema com naturalidade ajudam a reduzir esse preconceito. Quanto mais entendermos que transtornos mentais fazem parte da condição humana, mais fácil será buscar e oferecer ajuda.
6. Como a família e o ambiente de trabalho podem contribuir para a prevenção de adoecimentos mentais e para o acolhimento de quem já enfrenta algum transtorno?
A família e o ambiente de trabalho têm um papel fundamental. Escutar sem julgamentos, respeitar limites e incentivar a busca por ajuda profissional fazem muita diferença.
No trabalho, ambientes mais acolhedores, com comunicação clara e atenção à saúde emocional, ajudam tanto na prevenção quanto no processo de recuperação de quem já está em tratamento.
7. Qual a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado nos transtornos mentais, e quais são os riscos da automedicação?
Quanto mais cedo o transtorno é identificado, maiores são as chances de um tratamento eficaz e de melhor qualidade de vida. O acompanhamento adequado ajuda a reduzir o sofrimento, prevenir agravamentos e evitar prejuízos maiores.
A automedicação, por outro lado, pode trazer riscos importantes, como efeitos colaterais, dependência, interações medicamentosas e atraso no diagnóstico correto.
8. A pandemia deixou impactos duradouros na saúde mental da população. Quais reflexos ainda podem ser observados em consultórios?
A pandemia nos trouxe uma nova realidade e muitas dores, isso é inda impacta na forma como as pessoas têm lidado com a vida . Queixas de ansiedade, depressão, luto prolongado, cansaço emocional e dificuldades de adaptação continuam sendo frequentes. A pandemia deixou marcas importantes e reforçou a necessidade de falar sobre saúde mental de forma contínua, não apenas em momentos de crise.
9. Que hábitos simples podem ser incorporados à rotina para promover equilíbrio emocional e qualidade de vida ao longo do ano?
Alguns hábitos simples fazem muita diferença, como manter uma rotina de sono adequada, praticar atividade física regularmente, ter momentos de lazer e descanso e cuidar das relações sociais. Também é importante prestar atenção às próprias emoções, respeitar limites e procurar ajuda profissional sempre que sentir necessidade.
10. Qual mensagem a senhora deixaria para os leitores do jornal da COOMEB sobre a importância de cuidar da saúde mental com a mesma seriedade que a saúde física?
Cuidar da saúde mental é parte essencial do cuidado com a saúde como um todo. Quando a mente não vai bem, o corpo, o trabalho e as relações também acabam sendo afetados. Procure ajuda, fale sobre o que se sente e olhe para si com mais atenção são atitudes de cuidado e responsabilidade. Que podemos tratar a saúde mental com a mesma naturalidade e seriedade com que cuidamos da saúde física, ao longo de todo o ano.
Carolina Pinto de Goes Omena
Médica pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL)
MR3 de Psiquiatria pela Prefeitura de Recife
Contato para agendamento: (81) 992567345
E-mail: carolinaomenapsi@gmail.com
Instagram: carolinaomena.psiq
Cooperada desde dezembro de 2025
